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Cooperativas gaúchas são referência em estudos sobre energia
Missão técnica do Sistema OCB e da EPE conheceu experiências da Coopernorte e da Certaja Energia e aproximou pesquisas sobre comunidades energéticas da realidade brasileira.
O futuro da energia também passa pelas experiências construídas nos territórios. No Rio Grande do Sul, cooperativas de infraestrutura que atuam próximas às comunidades estão se tornando referência para estudos sobre novas formas de geração, distribuição e gestão energética. Foi para conhecer essa realidade que representantes do Sistema OCB e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estiveram no estado gaúcho entre os dias 27 e 29 de julho, em uma missão técnica articulada com o Sistema Ocergs e a Fecoergs.
A agenda teve como foco as comunidades energéticas e levou a comitiva até duas cooperativas de referência no setor: Coopernorte, em Viamão, e Certaja Energia, em Taquari. A programação permitiu conhecer estruturas, estratégias de gestão, investimentos e a relação mantida pelas cooperativas com os cooperados e os territórios onde estão presentes.
Rio Grande do Sul como campo de estudo
A missão começou na sede do Sistema Ocergs, em Porto Alegre. No encontro, o coordenador de Inteligência de Dados da entidade, Cássio Triches, apresentou uma análise sobre a situação do cooperativismo no Estado, com destaque para indicadores e para a atuação das cooperativas de infraestrutura.
A comitiva contou com Thayná Côrtes, da OCB, e com as pesquisadoras da EPE Caroline Chantre Ramos, da Superintendência de Estudos Econômicos e Energéticos, e Leyla Adriana Ferreira da Silva, da Superintendência de Meio Ambiente. A partir da articulação, foram definidas as visitas técnicas às duas cooperativas gaúchas. A escolha permitiu apresentar diferentes aspectos do modelo cooperativista e observar, diretamente nos territórios, como a infraestrutura energética está relacionada à atividade econômica e à qualidade de vida das comunidades.
Coopernorte mostra modernização e proximidade com o cooperado
A primeira parada foi na Coopernorte. Recebida pelo presidente Jairton Nunes Vieira e pela equipe da cooperativa, a comitiva conheceu a trajetória da organização, desde sua fundação até os processos de modernização e expansão das atividades. A programação também incluiu uma visita à Acqua Hidroponia, empreendimento localizado em Águas Claras e conduzido pela cooperada Lidiane Silva.
O grupo também conheceu as instalações da cooperativa e sua estrutura operacional, ampliando a compreensão sobre os desafios e as soluções encontradas para atender os consumidores e cooperados. Para Vieira, a visita representou um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela cooperativa. “Foi uma oportunidade de mostrar nossa história, os investimentos realizados e como o cooperativismo contribui para o desenvolvimento das comunidades onde atuamos”, afirmou.
Certaja Energia apresenta experiência de desenvolvimento regional
Em Taquari, a missão técnica visitou a Certaja Energia, onde foi recebida pelo presidente Renato Pereira Martins e pela equipe técnica. O encontro abordou a trajetória da cooperativa, o planejamento estratégico e iniciativas desenvolvidas em benefício das comunidades atendidas.
A agenda também incluiu ainda uma visita à propriedade da cooperada Fanvel, ligada à agricultura familiar. Martins destacou a importância do intercâmbio entre as instituições. “Esse diálogo permite apresentar a realidade das cooperativas de energia e reforçar a contribuição do nosso modelo para o desenvolvimento regional e para a oferta de um serviço cada vez mais próximo das pessoas”, disse.
Energia, inovação e os desafios do setor
Ao longo da missão, também entraram em pauta temas que fazem parte das transformações do setor elétrico, como:
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Geração distribuída
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Mercado Livre de Energia
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Modernização das redes
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Armazenamento de energia
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Novas tecnologias
As discussões permitiram aproximar os estudos da EPE dos desafios vivenciados pelas cooperativas e pelos consumidores. Entre os pontos debatidos esteve a percepção de riscos e incertezas para consumidores diante de determinados contextos de contratação no Mercado Livre de Energia. A experiência das cooperativas gaúchas também mostrou como a infraestrutura energética está conectada ao desenvolvimento das atividades produtivas. Nas propriedades visitadas, o fornecimento de energia aparece como elemento essencial para a agricultura familiar e para empreendimentos que dependem de regularidade e qualidade no serviço.
Experiências gaúchas contribuem para estudos nacionais
A missão integra a parceria entre Sistema OCB e EPE para aprofundar os estudos sobre comunidades energéticas, conceito que envolve iniciativas de geração, compartilhamento e gestão coletiva de energia com participação das comunidades.
O trabalho da EPE já resultou na publicação do caderno Comunidades Energéticas: definições e experiências internacionais e prevê novas visitas e entrevistas para ampliar o conhecimento sobre diferentes modelos cooperativos. Para a analista de Infraestrutura do Sistema OCB, Thayná Côrtes, a missão reforça a importância de aproximar a formulação de políticas públicas da realidade das cooperativas. “A iniciativa fortalece o diálogo, levando a experiência prática das cooperativas para subsidiar os estudos sobre comunidades energéticas e evidenciar o potencial do cooperativismo como instrumento de implementação de políticas públicas”, destacou.
