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Vinícola Garibaldi aposta em novas uvas para o futuro do vinho
Em masterclass na ProWine São Paulo, cooperativa apresentou seis rótulos que mostram como a pesquisa pode abrir caminhos para a vitivinicultura gaúcha
A busca por vinhos mais leves, frescos e com menor teor alcoólico tem impulsionado novas possibilidades na vitivinicultura. Atenta às mudanças climáticas e às preferências dos consumidores, a Cooperativa Vinícola Garibaldi investe, desde 2016, na pesquisa de novas variedades de uvas na Serra Gaúcha. Os resultados foram apresentados durante a ProWine São Paulo, em uma masterclass conduzida pelo enólogo Ricardo Morari, com a degustação de seis vinhos elaborados a partir de cultivares de diferentes países e testadas na área experimental da cooperativa, em Santa Tereza (RS).
A experiência mostra como a pesquisa e a inovação podem contribuir para a adaptação do setor às novas demandas do mercado, considerando características das uvas, condições de cultivo e viabilidade econômica para os produtores.
Novas demandas, novas oportunidades
O aumento das temperaturas, a busca pela redução do uso de defensivos agrícolas e de aditivos na vinificação, além das mudanças no consumo, têm influenciado os rumos do setor. Nesse cenário, vinhos brancos, rosés, espumantes e tintos menos concentrados ganham espaço.
“A natureza vem nos entregando o oposto do que o mercado procura. O calor dá origem a uvas com mais açúcar e a vinhos mais alcoólicos e concentrados, enquanto o consumidor pede frescor, leveza e menos álcool”, afirmou Morari.
Para o enólogo, a Serra Gaúcha reúne condições favoráveis para atender a essa demanda. Ele destacou que a região consegue produzir tintos equilibrados, frutados e com frescor, naturalmente, na faixa de 12% a 12,5% de álcool. Nos brancos e espumantes, essa característica também representa uma oportunidade para a vitivinicultura brasileira.
Dez anos de pesquisa no campo
A pesquisa começou com a implantação de uma área experimental de pouco menos de um hectare, dividida em 50 fileiras de videiras, cada uma dedicada a uma cultivar. Muitas das variedades trazidas de um viveiro parceiro na Itália não tinham histórico de cultivo no Brasil, exigindo registro junto ao Ministério da Agricultura.
Após dois ou três anos de acompanhamento, as uvas com melhor adaptação seguem para as microvinificações, pequenos lotes que permitem avaliar seu potencial para a produção de vinhos. Na safra 2026, foram realizadas 22 microvinificações, com análises de produtividade, características físico-químicas e resistência a doenças fúngicas.
A escolha das variedades também considera o retorno econômico para quem cultiva as uvas. “Quando falamos em sustentabilidade, não é somente o meio ambiente. É a sustentabilidade da cooperativa, o econômico tem peso, porque para cuidar do meio ambiente o produtor precisa ter condição financeira e, para isso, é fundamental que sua produção no vinhedo seja rentável”, observou Morari.
Seis variedades, diferentes caminhos
A masterclass reuniu uvas da Itália, da Romênia, da Geórgia, da República Tcheca e da Hungria, em diferentes estágios de desenvolvimento e comercialização. Entre as novidades está a Soreli, variedade branca italiana que apresenta acidez elevada e potencial para vinhos leves e espumantes. Resistente geneticamente a doenças fúngicas, ela integra o grupo das cultivares PIWI. A cooperativa prepara mudas para ampliar o plantio no início de 2027, e o primeiro vinho deve chegar ao mercado em dois ou três anos.
Outra aposta é a romena Busuioaca de Bohotin, que deu origem a um rosé com 11% de álcool, notas florais e toque de morango. A produtividade de cerca de 30 toneladas por hectare e a boa sanidade da uva incentivaram cooperados a implantar os primeiros vinhedos. O vinho tem lançamento previsto para janeiro de 2027, na linha In Veritas.
Já a georgiana Alexandrouli apresentou potencial para um tinto leve, com 11,7% de álcool, boa acidez e aromas frutados. A cooperativa avalia a elaboração de um clarete, proposta que representa uma aposta em um perfil diferente daquele tradicionalmente procurado por parte dos consumidores.
A degustação também incluiu rótulos já comercializados. O Garibaldi In Veritas Pálava, elaborado com uma variedade criada na República Tcheca, conquistou medalha de ouro no Concours Mondial de Bruxelles de 2025. O Muscaris, outra cultivar do grupo PIWI, também integrou a apresentação.
O encerramento ficou por conta do Garibaldi In Veritas Irsai Oliver, elaborado com uma variedade húngara de ascendência moscatel. Lançado com a safra 2025, o vinho conquistou medalha de ouro no concurso Bacchus, na Espanha, em 2026. Com 10,8% de álcool, apresenta notas de flor de laranjeira e pêssego.
Ao investir no estudo de novas cultivares, a Cooperativa Vinícola Garibaldi amplia as possibilidades de desenvolvimento de produtos e busca responder às transformações do mercado. O trabalho também evidencia a importância de integrar inovação, sustentabilidade e retorno econômico para fortalecer a atividade dos produtores e a competitividade da vitivinicultura gaúcha.